Empresa de lixo é denunciada por má prestação de serviço, atraso de salários e o não pagamento de horas extras
Levantamento realizado por nossa equipe de jornalismo investigativo revela algo ainda mais grave: a empresa “Maciel Construções e Terraplanagem”, integrante do consórcio de limpeza, não possui histórico de atuação no setor — sendo especializada em obras viárias e terraplanagem.

Levantamento exclusivo da nossa equipe de jornalismo investigativo revela algo ainda mais grave: a empresa “Maciel Construções e Terraplanagem”, integrante do consórcio de limpeza, não possui histórico de atuação no setor — sendo especializada em obras viárias e terraplanagem. O contrato de varrição de ruas em Fortaleza tornou-se um dos principais alvos de denúncias da população e de trabalhadores da coleta urbana. Desde o início da gestão do ex-prefeito José Sarto (PDT) — derrotado nas eleições de 2024 — pairam questionamentos sobre a execução do serviço e o modelo de contratação adotado pela Prefeitura. Nos últimos meses, cidadãos , garis e líderes sindicais passaram a relatar atrasos recorrentes de salários, não pagamento de horas extras, falhas no fornecimento de equipamentos e redução de equipes, o que teria comprometido a limpeza da capital. Entre as empresas mencionadas nas denúncias está a Maciel Construções e Terraplanagem, uma das integrantes do consórcio responsável pelo serviço.
De acordo com documentos acessados e verificados por nossa equipe, a empresa responde a mais de 800 processos judiciais, a maioria de natureza trabalhista, envolvendo alegações como descumprimento de convenções coletivas, demissões irregulares e atrasos salariais. Além da extensa litigiosidade trabalhista, a Maciel também já foi alvo de processo ambiental, incluindo autuação do IBAMA por suposta extração ilegal de calcário e minério — fato que agrava a discussão sobre sua reputação e capacidade técnica para atuar em serviços urbanos sensíveis. Atualmente, o serviço de varrição em Fortaleza é realizado pelo Consórcio MSM Ambiental, composto pelas empresas:
• Marquise Serviços Ambientais
• Maciel Construções e Terraplanagem
• Construtora Samaria
Entretanto, chama atenção a inserção da Maciel no consórcio. Uma busca simples nos órgãos de controle — como o Tribunal de Contas do Estado do Ceará — revela que a empresa não possui histórico prévio de atuação em limpeza urbana, varrição ou coleta de resíduos. Seu portfólio é concentrado em obras de infraestrutura, terraplanagem e construção de rodovias, atividades sem relação direta com o serviço contratado.
O questionamento que surge é inevitável:
Como uma empresa sem experiência comprovada no setor de limpeza urbana foi habilitada para operar um serviço tão essencial e de grande escala como o de Fortaleza? Além disso, trabalhadores vinculados ao consórcio afirmam que os atrasos salariais se tornaram frequentes, gerando insegurança financeira e repercutindo na qualidade do serviço prestado à população. Frente ao crescente volume de denúncias, espera-se que a Prefeitura de Fortaleza adote medidas de revisão e aprimoramento do contrato, garantindo a lisura da execução, a proteção dos trabalhadores e a melhoria urgente da limpeza pública — hoje, uma das maiores queixas dos fortalezenses.
Jornalista
Amanda Sousa